Como suas emoções negativas podem te ajudar?

Um olhar a partir da Inteligência Emocional

“Me ensinaram a engolir o choro, ficar quieto, que chorar pode ser vergonhoso e demonstra que sou fraco.”

“Sempre me disseram que eu preciso ser forte. E ser forte é não demonstrar meus sentimentos para os outros.”

“Preciso demonstrar sempre que estou bem.”

“Me sinto ansioso e angustiado o tempo todo, mas as pessoas acham que isso é frescura…”

“Estou cansado, as vezes eu quero sumir.”

“Eu não sei o que acontece: tem uma voz aqui dentro que não para de me dizer que estou fazendo errado, que as coisas não vão dar certo, que eu não sou competente…mesmo quando sei que estou fazendo certo.”

Se identificou com alguma frase acima?

Eu escuto frases como essas diversas vezes por dia em meus atendimentos. Pessoas que aprenderam a calar seus sentimentos e não sabem lidar com as suas emoções. Hoje falamos muito em ter empatia e desenvolver inteligência emocional. E é muito claro que estamos em déficit em identificar nossas emoções, reconhecer o que sentimos e, assim, gerenciá-las efetivamente e de forma que possamos empatizar com o outro.

Nos contaram a vida toda que as emoções negativas (medo, raiva, angústia, ansiedade, tristeza, entre outros) eram algo ruim a se sentir. Nos ensinaram a calar esses sentimentos.

Mas nunca nos disseram que foram eles que nos fizeram chegar até aqui.

Pensa comigo: na nossa evolução biológica o medo fez que com a nossa espécie fosse preservada, evitando que entrássemos em conflitos desnecessários.

A raiva pode ter o potencial de ser utilizada para superar nossos próprios limites, sendo combustível para alcançarmos nossos objetivos.

Emoções negativas são tão importantes quanto as positivas. A grande questão é que não aprendemos a gerenciá-las. Aprendemos a sucumbi-las no nosso mais profundo ‘eu’, para não entrarmos em contato.

Mas isso é ilusório. Cultivar emoções negativas é o mesmo que deixar uma bomba relógio embaixo da sua cama.

Precisamos trabalhar nossas emoções negativas, olhar nos olhos delas e encarar de frente. Elas fazem parte de você, é necessário aceitá-las. Além disso, precisa fazer melhor: precisa usá-las a seu favor!

Peter Salovey e John Mayer criaram um modelo para desenvolver a habilidade de inteligência emocional que consiste em 4 fundamentos:

1.Percebendo as Emoções – Identificar nossas emoções e a dos outros:

É fundamental autoconhecimento quando falamos de inteligência emocional. Reconhecer nossas emoções e as emoções do outro é a chave para os outros fundamentos da inteligência emocional. Ao reconhecê-las, consigo identificar o que elas causam em mim e o que está por trás das mesmas.

Reconhecer emoções no outro, facilita o processo de auto reconhecimento, melhora a empatia e as formas de se relacionar.

Exercício prático: Identifique todas as emoções que te afligem e tome nota delas.

2. Raciocinando por meio das emoções – Usar as emoções para facilitar o pensamento

É necessário redirecionar e priorizar o pensamento com base nos sentimentos associados.

O que isso quer dizer? Por exemplo: um dia você acordou muito animado e com bastante energia. Neste dia você precisa realizar um trabalho que demanda muito foco e concentração.  Provavelmente você irá realizar o trabalho de qualquer forma, mas como você está com muita energia e animado é provável que você não alcance o foco desejado. Ao final do dia você se sentirá esgotado e cansado devido ao gasto de energia enquanto ficou “brigando” consigo mesmo para concentrar-se.

Quando falamos em usar as emoções para facilitar o pensamento, precisamos reconhecer quais emoções estamos vivenciando e refletir sobre nosso animo e estado de espírito. A partir desta compreensão e reconhecimento, poderemos redirecionar os nossos pensamentos e ações.

Como citei no exemplo acima: ao reconhecer que você está em um dia com extrema energia, mas precisa realizar uma atividade que demanda foco, talvez seja necessário canalizar essa energia em outra atividade. Desta forma, você conseguirá equilibrar suas emoções e pensamentos, e estará mais focado no momento de executar a atividade proposta.

O grande desáfio aqui é orientar nossas emoções. Sabe quando temos aquele sentimento de frio na barriga? Aquela sensação de “borboletas no estomago”? Então, as nossas emoções são as borboletas, e nós não queremos acabar com elas: o nosso objetivo é ajudar essas borboletas voarem em formação para o lado certo.

Exercício prático: Identifique suas emoções e canalize para o local ideal. Onde essa emoção pode ser melhor utilizada? De que forma? Como você fará isso na prática?  

3.Compreendendo as emoções Compreender, é ir além

Entender as emoções é mais sofisticado do que identificar. Identificar somente, não te leva a compreender os motivos e conexões existentes. Nesse fundamento, é necessário exercer a capacidade de compreender as relações entre várias emoções, além de perceber as causas e consequências que essas emoções possuem na sua vida. Precisamos compreender por que nos sentimos de certa maneira, o que nos gera determinado sentimento.

É aqui que vamos olhar e buscar compreender sentimentos complexos, misturados, bem como estados contraditórios, sendo necessário entender as transições entre as emoções.

Exercício prático: Retome as suas anotações dos sentimentos identificados. Agora, reflita e anote, sobre: A situação que ocorreu, o que aconteceu antes dessa situação, depois e durante. Como você se sentiu? Como você reagiu? Reflita sobre o que te fez sentir essa emoção – seja verdadeiro com você. Se você responder tudo muito rápido, principalmente a última reflexão, retome. Você provavelmente está indo pela resposta mais automática que pode dar.

4. Gerenciado as emoções – Monitorar e refletir sobre emoções

A habilidade mais elevada da inteligência emocional é monitorar e refletir sobre as emoções. Nesta etapa você é capaz de envolver, prolongar ou separar estados emocionais, dependendo do contexto ou do que é apropriado para você.

Mas lembre-se: gerenciar não é controlar.

Gerenciar é mudar foco e a atenção. É canalizar a nossa energia para outro lugar/objeto/objetivo.

Exercício prático: Relembrar situações positivas vivenciadas irá te ajudar a mudar de foco, e ainda irá gerar emoções positivas. Agir como se já estivesse sentido o que deseja, também te ajuda – nosso cérebro não sabe o que é verdade ou não, assim, se você se comporta como se aquilo já estivesse acontecido (no caso, algo positivo ou tranquilo), o seu cérebro ira associar à um sentimento bom.

Lembre-se: emoções negativas podem te ajudar no seu autodesenvolvimento, portanto faça delas aliadas, e não inimigas.

Agora, bora para ação colocando tudo em prática?!

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